Formação de preço: por que faturar mais e sobrar menos é tão comum no comércio de Santos
Tem um mês que todo dono de negócio na Baixada Santista já viveu: o movimento foi ótimo, o caixa girou o dia inteiro, o faturamento bateu recorde — e no fim, quando as contas venceram, sobrou menos do que no mês fraco anterior. A conclusão que costuma vir na sequência ("preciso vender mais") quase sempre é a errada. O problema raramente está no volume. Está no preço.
Preço é a decisão mais repetida de um comércio e, ao mesmo tempo, a menos revisada. Na maioria das lojas, bares e prestadores de serviço da região, ele foi formado de três jeitos: olhando o concorrente da esquina, multiplicando o custo por dois porque "sempre foi assim", ou no chute na hora de responder um orçamento pelo WhatsApp.
O que costuma ficar de fora da conta
- O custo real do produto: não é só o valor da nota do fornecedor. Frete, embalagem, imposto e a perda (o que estraga, quebra ou vence) fazem parte do custo daquele item.
- A taxa do meio de pagamento: cartão de crédito, parcelamento e antecipação têm custo diferente do dinheiro e do Pix. Vender a mesma coisa em 6x não é vender pelo mesmo preço.
- O custo fixo diluído: aluguel, energia, folha, contador e sistema precisam estar embutidos em cada venda. Quem só cobre o custo do produto está pagando para trabalhar.
- O desconto dado no balcão: aquele "arredonda pra mim" concedido dez vezes por dia sai direto da margem, não do faturamento.
- A diferença entre markup e margem: somar 30% em cima do custo não deixa 30% de lucro. É a confusão que mais aparece nas planilhas que chegam até nós.
Um exemplo prático
Pense numa loja de Santos com dois produtos que vendem parecido. Um tem giro alto e margem apertada; o outro sai menos, mas deixa bem mais por unidade. Sem controle, o dono empurra o de giro alto porque "é o que sai" — e o mês fecha cheio de venda e vazio de lucro. Com a margem calculada por item, a decisão muda sozinha: o que merece vitrine, o que merece desconto e o que precisa de reajuste passa a estar na tela, e não na intuição.
Por onde começar
- Escolha os 10 produtos ou serviços que mais vendem e levante o custo real de cada um, com frete, imposto e taxa incluídos.
- Some seus custos fixos do mês e divida pelo faturamento médio. Esse percentual precisa estar dentro do preço de tudo.
- Cadastre custo e preço no sistema para que cada venda já registre a margem — e revise os preços em datas fixas, não só quando o fornecedor aumenta.
Quando o sistema guarda o custo junto com a venda, o relatório de margem sai pronto e o reajuste deixa de ser um susto. É a diferença entre saber quanto entrou e saber quanto ficou.
Quer enxergar a margem real de cada produto do seu negócio?
Falar com a JCA no WhatsApp →